Canetas emagrecedoras com segurança - insights da conversa com a Dra. Flávia Cortese endocrinologista

Mariana Fayad • 18 de dezembro de 2025

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Eu reuni nesta página os pontos mais importantes da minha conversa com a Dra. Flávia Cortese, endocrinologista em Piracicaba. 


Nosso objetivo foi esclarecer as principais dúvidas sobre as canetas emagrecedoras e organizar, de forma prática, tudo o que você precisa considerar antes e durante o tratamento. 


Falo aqui de indicações, contraindicações, diferenças entre os fármacos, efeitos colaterais mais comuns e estratégias nutricionais que preservam a saúde.


Se você já usa a caneta ou conhece alguém em tratamento, vale ler com atenção.


A caneta não substitui mudança de hábito, treino de força e acompanhamento profissional. 


Quando bem indicada e monitorada, pode ser uma aliada poderosa.


Quando banalizada, pode levar a perda de massa muscular, carências nutricionais e frustração com o desmame.


Liraglutida, semaglutida e tirzepatida: diferenças essenciais

Hoje existem três sais em uso mais comum.


A liraglutida foi a primeira no Brasil, é análoga de GLP-1 e tem aplicação diária. 


Canetas emagrecedoras com segurança e acompanhamento com nutricionista em piracicaba

Depois veio a semaglutida, também análoga de GLP-1, com aplicação semanal. A mais potente disponível é a tirzepatida, um agonista duplo que age nos receptores de GLP-1 e GIP, impactando controle de apetite, glicose e regulação metabólica. 


Estudos de longo prazo apontam perdas de 15 a 24% do peso com tirzepatida, o que ajuda a explicar o entusiasmo clínico e o interesse do público.


Indicações médicas e quando faz sentido usar

A indicação primária é para diabetes tipo 2 e obesidade com IMC a partir de 30. Também há indicação para sobrepeso com comorbidades a partir de IMC 27. 


Em cenários off-label, a prática clínica mostra boa resposta em síndrome dos ovários policísticos pela relação com resistência à insulina. 


Pré-diabetes merece atenção porque o uso pode ajudar a reverter resistência insulínica, reduzir gordura visceral e evitar a progressão para diabetes. Em todos os casos, quem indica é o médico, com avaliação individual.


Contraindicações que eu sempre reviso com meus pacientes

Existem contraindicações importantes. Pessoas com carcinoma medular de tireoide, ou com parente de primeiro grau com esse câncer, não devem usar. 


O mesmo vale para neoplasia endócrina múltipla tipo 2. Gestantes e lactantes não devem utilizar. 


Em doença gastrointestinal grave em atividade, em insuficiência renal ou hepática graves, o uso não é recomendado. Antes de iniciar, eu estimulo a avaliação tireoidiana e a revisão do histórico familiar para reduzir riscos.


Interações e associações mais comentadas

Na prática, a metformina é frequentemente associada e aparece em bula como opção segura em combinação, desde que o médico ajuste doses e necessidade. 


Opioides e antidepressivos tricíclicos, que retardam esvaziamento gástrico, não são uma boa combinação com tirzepatida porque somam efeitos no estômago. 


Em relação a ansiolíticos como buspirona, a conversa destacou que não há interação relevante reportada com tirzepatida, mas reforço que cada caso deve ser avaliado pelo médico assistente.


Efeitos colaterais mais comuns e como eu costumo manejar

Os efeitos gastrointestinais são os mais relatados. 


Náusea, saciedade precoce e desconforto podem surgir, especialmente nas primeiras semanas. Parte disso vem do retardo do esvaziamento gástrico e do déficit calórico. 


Também é comum queda de energia por baixa ingestão e por desidratação, já que muitas pessoas reduzem a sede junto com a fome. 


Quando o desconforto é intenso, a orientação é conversar com o médico para ajustar dose e, se necessário, usar medicamentos de apoio por curto período. 


Ajuste de dose é ferramenta importante. Não é para ficar dias apenas com água e maçã. Se isso acontece, a dose provavelmente está acima do tolerável.


Hidratação correta no uso da caneta

Eu uso uma regra simples para um ponto de partida. Peso corporal multiplicado por 35 ml ao dia. Em quem usa caneta, essa meta ganha importância.


A hidratação adequada ajuda o intestino a funcionar, reduz cefaleia e melhora disposição.


Em alguns casos, eu incluo soluções com eletrólitos ao longo do dia, principalmente em quem transpira mais ou relata cansaço persistente.


Proteína e preservação de massa muscular

Qualquer análogo de GLP-1 mexe com massa muscular. Se a ingestão de proteína é baixa e não há treino de força, a perda de massa magra acelera. 


Para a maioria dos adultos, trabalho com a faixa de 1,8 a 2,0 g de proteína por quilo ao dia, ajustando por peso adequado em casos de obesidade. 


Isso significa distribuir proteína em todas as refeições. Nem todo mundo consegue seis refeições. Muitas pessoas se dão melhor com três, sendo duas líquidas proteicas e uma refeição sólida mais robusta. 


O que importa é somar no dia para atingir a meta de forma tolerável.


Como traduzir gramas de proteína para o prato

Eu ensino meus pacientes a pensar em metas por refeição. Em refeições principais, busco 25 a 30 g de proteína. Em lanches, 15 a 20 g. Um bife de 120 a 150 g não tem 120 a 150 g de proteína. 


Em média, oferece de 20 a 30 g, dependendo do corte. Se a pessoa consegue menos refeições por conta da saciedade, eu aumento a porção proteica nas refeições que tolera.


Shakes proteicos e iogurtes com whey ou caseína são ferramentas valiosas, principalmente nos dias de maior náusea.


Treino de força não é opcional

Eu deixo claro na consulta. Sem treino de força, o metabolismo desacelera e o desmame da medicação fica mais difícil. Caminhada é excelente para a saúde, mas sozinha não preserva massa. 


O ideal é ter sessões de resistência 2 a 4 vezes por semana, com progressão de carga e acompanhamento quando possível. Quem inicia o tratamento perto da sarcopenia precisa de foco redobrado em força e proteína.


Exames antes de começar e durante o acompanhamento

Antes de iniciar, eu gosto de olhar ferritina, B12, vitamina D, zinco e um painel metabólico completo. 


Alvos práticos que a Dra. Flávia também destacou ajudam na tomada de decisão. Ferritina acima de 90 ng/ml, B12 acima de 600 pg/ml e vitamina D mais próxima de 40 ng/ml são referências úteis. 


Se esses estoques estão baixos e a restrição calórica entra em cena, a chance de queda de cabelo, fadiga e perda muscular aumenta. 


Eu uso sinais clínicos e, quando necessário, exames bioquímicos periódicos para ajustar a estratégia.


Como reconhecer que a dose precisa de ajuste

Se até água desce mal, se a fome zerou e você está comendo quase nada, eu aciono a equipe médica. 


Não esperamos semanas nessa situação. Regredir a dose é conduta comum e prudente. 


O objetivo é tratar peso e compulsão sem sacrificar massa magra e sem causar uma avalanche de efeitos. Comunicação frequente com o médico nos primeiros meses faz toda a diferença.


Energia baixa nas primeiras semanas: o que eu faço na prática

A fadiga nas primeiras semanas é relativamente comum.


Eu costumo ajustar a ingestão de carboidrato ao redor do treino, por exemplo com palatinose antes de treinar, e reforçar a hidratação com eletrólitos durante o dia. 


Também reviso micronutrientes e fibra solúvel para conforto digestivo. Muitas pessoas relatam melhora importante após esse ajuste fino.


Preço e compra segura no Brasil

A tirzepatida já está disponível no Brasil e exige prescrição. Os valores variam por dose e por farmácia. 


A recomendação é desconfiar de preços muito abaixo do mercado e evitar importações informais.


Além do risco legal, há risco de produto falso. Eu oriento sempre comprar em redes confiáveis, com receita válida, e guardar nota fiscal.


Por que a caneta não substitui mudança de estilo de vida

A caneta não é solução isolada. Ela ajuda a reduzir apetite e a reorganizar o metabolismo, mas hábitos são o alicerce. 


Sem treino de força, sem metas proteicas e sem sono adequado, o peso pode até cair rápido, porém às custas de músculo. 


A manutenção do peso perdido fica frágil e o risco de recuperar aumenta, o que costuma levar a uso prolongado da medicação sem necessidade.


Quando procurar ajuda especializada

Se você tem diagnóstico de diabetes tipo 2, obesidade, sobrepeso com comorbidades, SOP ou pré-diabetes, converse com um endocrinologista para avaliar a indicação. 


Em Piracicaba, conte com a experiência de profissionais como a Dra. Flávia Cortese para a avaliação médica. No consultório, eu cuido do planejamento alimentar, do monitoramento de sintomas, da distribuição de proteína e da hidratação. 


Quando preciso, solicito exames e ajusto o plano, sempre em parceria com o médico e com o seu treinador.


Cuidar do emagrecimento com caneta é cuidar de todo o corpo.


Eu priorizo segurança, preservação de massa muscular e correção de possíveis deficiências de ferro, zinco, B12, magnésio e proteínas. 


Se você sente que algo está faltando, mesmo com o peso em queda, é hora de olhar para dentro. O corpo fala e eu estou aqui para ouvir, organizar a estratégia e caminhar ao seu lado com responsabilidade.


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